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Timecop - o guardião do tempo

Entre espacates e bons roteiros, um dos melhores filmes do JCVD

1. Elenco e sinopse:

Jean-Claude Van Damme            Walker

Mia Sara                                              Melissa

Ron Silver                                           McComb

Bruce McGill                                      Matuzak

Gloria Reuben                                  Fielding

Scott Bellis                                          Ricky

Jason Schombing            …            Atwood

Scott Lawrence                                                Spota

Kenneth Welsh                                                Utley

Diretor: Peter Hyams

Roteiristas: Mike Richardson e Mark Verheiden

Sinopse: O policial Max Walker, que trabalha na Central de Vigilância do Tempo, procura vingar a perda de sua esposa e provar que o senador McComb, candidato à presidência, usa a viagem no tempo para fins corruptos.

2. Análise detalhada

Quando uma tecnologia é criada, muitas vezes gera ramificações. Com a internet, houve aumento exponencial da circulação de informação. O motor de carro levou à fabricação de um sem número de veículos e a fundação da malha rodoviária para acomodá-los de forma adequada. Neste contexto, o que a viagem no tempo criaria?

Em Timecop, surgiu não só uma forma de ganhar dinheiro manipulando questões temporais, como comprar barato no passado ações de empresas lucrativas na atualidade ou terras que futuramente seriam lugares de luxo, mas também foi criada uma força de vigilância do tempo, a Central de Vigilância do Tempo (CVT), Time Enforcement Comission – TEC, no original.

Um de seus principais integrantes é Max Walker, policial que perdeu a esposa Melissa em um atentado no ano de 1994, cujo culpado nunca foi encontrado. Após impedir o ex-parceiro Lyle Atwood de manipular ações durante a crise da bolsa dos anos 30, Walker volta para o ano de 2004 com o nome do mandante do crime do ex-parceiro: senador Aaron McComb. McComb, além de comandar a comissão do Senado relacionada à viagem no tempo, é candidato à presidência e usa a viagem no tempo como forma de obter verbas de campanha e vencer a eleição.

Após sobreviver a um atentado em que sua habilidade de espacate, aquela abertura de  pernas pela qual Van Damme é famoso, salva-lhe a vida, Walker é designado para trabalhar com a nova parceira Fielding, voltando para 1994.

Captura de tela do site Amazon Prime. Filme produzido pela Largo Entertainment.

O distúrbio é causado por McComb, que deseja readquirir sua parte na companhia que criou os chips de computador que controlam os equipamentos de viagem temporal. McComb mata o sócio e a parceira de Walker revela-se corrupta, a serviço do senador, recebendo como pagamento do senador um tiro a queima-roupa.

Walker escapa por pouco de ser morto, mas quando retorna, a CVT está quase sendo desativada e o chefe Matuzak, seu melhor amigo na linha temporal normal, mal se lembra dele. Walker tenta um último retorno ao passado para conseguir provas da existência de Fielding e da corrupção de McComb, com o retorno possibilitado por Matuzak, que se sacrifica.

Sem outra escolha a não ser fazer o tempo voltar o que era certo, Walker obtém uma amostra de sangue de Fielding no hospital onde ela está internada e descobre que sua esposa Melissa estava grávida.

O Walker de 2004 vai até sua casa para impedir o atentado, que descobre ser obra de McComb. Com auxílio involuntário de sua versão de 1994, o policial mata os capangas do senador até que só sobra o chefe, que colocou uma bomba na casa e fez Melissa de refém.

Porém, Walker tinha uma surpresa: ele enviou uma mensagem para o Senador McComb de 1994, como se fosse o senador de 2004, dizendo-lhe para ir até sua casa. Com as duas versões ali, todos morreriam e ninguém, venceria. Walker empurra um senador no outro e concretizando a teoria de retorno do tempo que a mesma matéria não pode ocupar o mesmo local no espaço, as versões se liquefazem e destroem-se.

Com poucos segundos restando para a detonação, Walker carrega Melissa para fora do raio da explosão, salvando a vida da esposa.

Captura de tela do site Amazon Prime. Filme produzido pela Largo Entertainment.

Walker volta até 2004 e descobre que McComb desapareceu misteriosamente dez anos antes e ao chegar em casa, revê sua esposa viva, com o filho de 10 anos e talvez a chegada de um irmãozinho.

  1. Comparação do os parâmetros

2.1 – Tensão e enredo

Aqui merece nota o slogan do cartaz do filme: Eles mataram sua esposa há dez anos. Ainda há tempo de salvá-la. É uma frase que aguça a curiosidade do telespectador, pois só com a explicação da viagem no tempo, saberemos como ele pode salvar a esposa.

A história é bem encadeada e desenvolvida. Momentos como a emboscada a McComb e a revelação da corrupção da Fielding são especialmente tensos, pois a revelação é mantida em suspense até o último minuto.

Na cena, Fielding aponta uma arma para a cabeça do vilão, fazendo crer que Walker tem a vantagem, mas quando ele chega perto, ela vira a arma para Walker, revelando-se corrupta e a serviço do senador.

O enredo é encadeado de forma a aumentar os riscos do conflito envolvido, com uma antipatia entre herói e vilão que de início, resume-se a meras piadinhas e provocações obtusas, passando pela corrupção e quase destruição da estrutura de viagem no tempo.

Também há a cena do retorno final, muito tensa e bem estruturada, com o chefe Matuzak fuzilado pela equipe de segurança da máquina do tempo, se sacrificando para o retorno final de Walker. Esse é um recurso muito usado em histórias de viagem no tempo, em que o protagonista sai de um futuro tão danoso que só tem uma escolha: fazer o tempo voltar ao que era certo.

2.2 Seriedade dos personagens 

Geral – os personagens são um dos pontos fracos da trama, pois as histórias são muito clichês, com o protagonista sendo um policial com trauma geral e o senador, o vilão absolutamente cruel, sem outras características. No caso de Walker a questão piora, pois é interpretado por um ator que não é um primor na arte interpretativa, mas em artes marciais, apesar de esta ser uma de suas melhores performances.

Herói – apesar do citado acima, Walker destaca-se por seu extremo cinismo e ironia, com destaque  para uma cena em que um adversário nos anos 30 diz a Walker que lutou dez rounds com um boxer da época e Walker responde que assistiu a luta de Tyson na TV e dá-lhe uma surra em seguida.

Walker também tem um diálogo muito interessante com o vilão, no primeiro encontro dos dois, em que ele diz indiretamente a McComb que sabe que ele é o culpado da corrupção do parceiro e McComb, apesar de fingir não entender o que Walker diz, sabe exatamente do que o policial fala, já que, em seguida, manda alguém para “ter uma conversa do tipo que não se esquece” com o policial.

Também temos o diálogo de Walker e seu chefe Matuzak na linha do tempo alterada, em que ambos não são mais amigos, onde ele diz ao chefe que a comida da esposa era muito salgada, fazendo-o perceber que em outra realidade foram bons amigos, confirmando o que Walker lhe dizia, já que era algo que só um amig que frequentasse sua casa saberia.

Vilão – O vilão é um caso a parte. Diferente de JCVD, McComb é interpretado por um bom ator, Ron Silver; McComb é um daqueles vilões efetivamente maus que não costumamos ver hoje em dia, com sede ilimitada de poder e que não esconde tais características do público e não possui quaisquer desculpas ou características redentoras ou tentativas de simpatizá-lo. Apesar de, como dito no início tal vilão ser um tanto clichê, foge da  necessidade que  o cinema atual tem de amenizar e dar traumas aos vilões para justificar suas  ações malignas.

Captura de tela do site Amazon Prime. Filme produzido pela Largo Entertainment.

2.3. Lutas e conflitos 

As lutas do filme, como se espera de um filme do Van Damme, são muito bem desenvolvidas. Espacates, chutes altos, surras duplas com barra e um chutaço da Broadway que faz as duas versões do vilão chocarem-se e dissolverem–se com o contato no final estão presentes e são coreografadas de forma a vermos a completude do movimento e ritmo da cena e da luta. Tem de tudo, até Van Damme apanhando um pouco da vilã Fielding.

Porém, às vezes as sequências são forçadas, como na fábrica em 1994 há cenas em que o Van Damme luta contra os capangas usando armas improvisadas, quando há uma pistola caída a poucos metros dele e ambos os lados da briga parecem esquecê-la, com a arma retornando à cena só quando é conveniente para o roteiro.

Conflito – o conflito é muito bem delineado e desenvolvido. Walker contra McComb. O policial implacável contra o poderoso corrupto que compra a tudo e (quase) todos. Ambos perfeitos representantes do seus estereótipos, com a determinação de Walker colocada contra os recursos de McComb.

O final é muito bem delineado onde a equipe de McComb enfrenta não só um Walker em sua casa de 1994, mas dois heróis, já que a versão de 1994 encontra-se presente no conflito e salva a vida do Walker do futuro em um momento decisivo.

Captura de tela do site Amazon Prime. Filme produzido pela Largo Entertainment.​

2.4 Músicas de fundo (Bgms) – ambientação 

A trilha sonora do filme conta com um conjunto de músicas instrumentais muito bem harmonizadas com as cenas e tons, com especial destaque para as música de cenas mais tristes em que Walker lembra-se da esposa ou a música mais intensa em que ele a salva quando retrocede no tempo. A música Time won’t let me da banda Smithsonens, que toca no final também é excelente e tem um ritmo vibrante.

A ambientação é um ponto em que o filme peca um pouco, com alguns ambientes pobres como a Comissão do Senado, composta de uma sala com alguns móveis, um local que contaria com muito mais luxo. Os ambientes futuristas acabam esbarrando no retro-futurismo, com direito a um carro que meu amigo Maretta achou horrível e uns galpões fingindo ser tecnologia avançada.

2.5 Flerte com o terror

Este filme trata mais de ação com um pouco de suspense. O único momento que se aproxima mais do terror é quando Walker joga as versões do Senador McComb uma contra a outra e elas se chocam destruindo-se em uma poça de líquido.

3. Comparação com os tokusatsus

3.1 Contribuição dos tokus

Talvez os tokusatsus pudessem contribuir com algum elemento mais fantástico para o filme como alguma aberração genética, mas não haveria elementos significativos.

3.2 Contribuição para os tokus

Os tokusatsu poderiam usar do dinamismo e variedade deste filme. As sequências de ação são bem coreografadas e mostradas de forma clara, sem recursos de cortes e edições, que infelizmente são usados em filmes atuais.

Os tokusatsus também podem usar a condução do enredo, bem variado em ambiências e bem amarrado, assim como a construção de tensão, com uma briga final longa, mas nada tediosa, inclusive surpreendente em alguns momentos, indicando uma boa fluidez do roteiro. E a tensão na cena em que Walker retira sua esposa desmaiada da casa que vai explodir.

4. Conclusão

É um filmaço. Um dos melhores do JCVD, com direito a espacates chutes altos, mas um excelente roteiro, bem ritmado com pegadas interessantes, momentos de humor seco e um excelente final.

Nota 9.0

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